Grasse – A Meca dos perfumistas


Situada no Sul de França, esta pequena cidade de cerca de 50 000 habitantes é, desde há vários séculos, a Meca dos perfumistas ocidentais. Um local mágico em que podemos começar a manhã junto do Mediterrâneo e terminar a caminho do topo dos Alpes.

mapa Grasse


As estações são vividas em todo o seu esplendor nesta pequena comuna dos Alpes marítimos. No Inverno, o Mediterrâneo protege os seus campos dos rigores do Inverno alpino. A chegada da Primavera traz consigo as maravilhosas fragrâncias das flores campestres. Os campos enchem-se com as flores de jasmim, mimosas silvestres, flor de laranjeira, rosas, narcisos e lavanda. E ao percorrermos os campos e acariciando cada flor descobrimos no seu pungente odor um sentimento em potência pronto a ser descoberto por um perfumista.

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No Verão chega a hora de colher o tesouro, transformando folhas, flores e pétalas nos fragrantes óleos que possibilitarão aos perfumistas completar a sua paleta para desenhar fantásticas criações.

A perfumaria aparece quase por um acaso em Grasse. No século XII a cidade produzia luvas em pele. A curtição deixava um cheiro detestável nas luvas pelo que surgiu a ideia de perfumar as luvas com as flores dos seus campos. Alguns séculos mais tarde, o fabrico de artigos em pele declinou mas a sabedoria de extrair o melhor que as flores têm para dar permaneceu até aos dias de hoje.
Existem vários livros e filmes que descrevem Grasse. O nosso favorito é “O Perfumista” de Patrick Suskind e o seu filme homónimo . Nele acompanhamos o protagonista enquanto percorre a Grasse do século XVIII quase como se lá estivessemos…e é deslumbrante.

É neste local mágico que surgem várias das mais antigas e conceituadas casas de perfumistas: Galimard, Robertet e Lautier entre outras. É nesta tradição que o Instituto de Perfumaria de Grasse  inspira dezenas de novos perfumistas nos seus vários cursos e é também por essa tradição e pela inspiração que ela proporciona que ainda hoje a Givaudan e outras grandes casas de perfumaria mantêm laboratórios para a criação de novas e surpreendentes fragrâncias.

Para os visitantes, existem também várias perfumarias e museus de portas abertas, com inúmeras palestras e actividades ao longo do ano.
Podemos ainda assim pensar que está lá ao longe, tão longe. Mas não é necessariamente assim. Há vôos diários de Lisboa para Nice e autocarros de ligação que permitem aos entusiastas chegar a Grasse em menos tempo que levariam de Bragança a Lisboa.

Estamos a um pequeno passo. Vá e delicie-se!

Nota olfactiva – O lego dos perfumes

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Com a sua ciência e criatividade o perfumista traz ao mundo novas sensações. Mas como o faz? Todas as construções devem começar pela base. De modo a assegurar uma linguagem comum, propomos esta pequena introdução à perfumaria. Será a primeira de várias referências para consultarmos sempre que necessário.

 

A nota olfactiva é a base de qualquer composição perfumada. É um ingrediente que pode ser natural ou artificial, que pode ser apenas uma molécula ou um conjunto de centenas de moléculas que têm um odor. Poderemos dar como exemplos:

 

– o Limoneno presente na casca de vários citrinos e que lhes confere o seu cheiro característico;
– a Cumarina (Coumarin) obtido dos grãos de Tonka e que simulam o cheiro a relva acabada de cortar;
2,4,6-Trichloroanisole (TCA) – composto que confere às rolhas o odor a mofo;
– a essência de rosa ou jasmim que contém dezenas de moléculas olfactivas, que no conjunto formam o aroma da flor. Tal como um maestro genial, a natureza orquestra acordes muito complexos com milhares de odores fragrantes, enquanto o perfumista tem ao seu dispor somente algumas centenas. No óleo essencial natural de Jasmim existem mais de 100 compostos odoríferos.

 

Da mesma forma que uma criança constrói castelos com blocos lego e a sua imaginação, um músico usa a escala de notas dó-ré-mi-fá-sol-lá-si ou um pintor mistura as cores primárias vermelho-azul-amarelo para obter uma infinidade de tonalidades, também o perfumista usa as notas olfactivas para criar novos aromas e emoções que nos fazem sonhar.

 

Deixe-nos as suas dúvidas, comentários sobre este assunto ou questões e temas que gostaria de ver abordados para que, a cada publicação, possamos enriquecer esta página.

 

A “Camera Smell” e a força das saudades de casa.


O MIT Media Lab fez uma câmara que regista perfumes
Desenvolvedora Manisha Mohan veio com a ideia depois de sentir saudades de casa, quando se mudou para Boston.
Manisha

Quando Manisha Mohan se mudou da Índia para Boston, com parte do programa de pós-graduação no Media Lab do MIT, debateu-se com as inevitáveis saudades de casa. Ela sentia falta das conversas da sua família e do cheiro de comida caseira. Foi essa necessidade de familiaridade que a inspirou a criar a “Camera Smell”. Não, não regista qualquer tipo de representação visual de um odor – ela regista o próprio cheiro. E não se pense que este é um dispositivo de apontar e capturar: O dispositivo contém é uma bomba pneumática de mão, e é controlado pelo telefone do utilizador.


Mohan começou seu projecto em Janeiro de 2016 após uma discussão com seu conselheiro. “Nós estávamos a trocar ideias quando surgiu, e se sempre que eu sinto saudades de casa, eu pudesse ativar esse cheiro particular e imergir nesse ambiente. E foi aí que tudo começou “, explica.

Mohan e seu conselheiro começaram a câmara do cheiro usando uma bomba para recuperar o cheiro do objecto desejado. De acordo com Mohan, moléculas de ar são portadores de moléculas de cheiro. A bomba aspira as moléculas de ar em uma cápsula. A cápsula pode então ser armazenada em outro objecto, como um colar, e activado para liberar o cheiro.

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Durante o projecto, Mohan usou um anel encapsulado com Andiroba: uma árvore alta da floresta tropical que tem um cheiro de noz. Ao usar o anel, ela foi capaz de aceder ao perfume em qualquer altura do dia. Ela escolheu o perfume depois de querer se lembrar de sua viagem ao Brasil no ano anterior.

Apesar de ter terminado o projecto em agosto de 2016, Mohan espera dar-lhe continuidade depois de se formar este ano. Embora ainda não esteja no mercado, você pode um dia ser capaz de trazer todos os cheiros de casa com você quando você viaja.

Artigo original aqui

Construir um perfume, da base até ao topo

i-sensis perfume design

Ao criar uma fragrância o perfumista necessita de forma, para estruturar o seu trabalho. A essa estrutura chamamos pirâmide olfactiva.

piramide olfactiva

As notas que compõem um perfume não são todas iguais. Umas são mais voláteis e sentem-se mais rápido. Outras demoram mais algum tempo a impor-se. Mas quando observamos o tempo que persistem, as mais voláteis “desaparecem” mais depressa, enquanto as menos voláteis perduram no tempo. A pirâmide olfactiva é uma forma de classificar as diferentes matérias-primas de um perfume relativamente ao seu comportamento em notas de topo, notas intermédias e notas de base.

No seu livro intitulado “Perfumes, Cosmetics and Soaps”, W.A. Poucher (edição original 1923) dá-nos uma base científica para esta classificação. Segundo este autor, nem os pesos moleculares nem os pontos de ebulição permitiam ordenar as matérias-primas pela forma como se comportavam numa composição. A forma que Poucher encontrou foi a determinação da durabilidade de centenas de matérias-primas…

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