A que cheira o Outono?

Entramos no Outono e não tardará muito para que comecem as primeiras chuvas e com elas o habitual aroma a terra molhada. Mas a que cheira a terra molhada? A resposta é: a muitas coisas.

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Este tema foi alvo de um estudo aprofundado de 2 cientistas australianos nos anos 60 do século XX. O artigo que publicaram apontava para 3 origens do aroma que se liberta da terra por acção da chuva ao qual baptizaram de Petrichor:
– os óleos essenciais libertados pelas plantas durante o tempo seco vai-se acumulando no solo e rochas, ficando “preso” a aguardar pacientemente a chuva libertadora;
– um composto chamado geosmin que é produzido por bactérias presentes no solo;
– ozono quando ocorre trovoada junto com a chuva;

O geosmin é o maior responsável pelo cheiro que identificamos como terra molhada. Esta molécula está presente na beterraba e confere-lhe o sabor a terra. Está também presente em peixes de rio como as carpas conferindo-lhes um forte sabor. O nariz humano é extremamente sensível ao geosmin pelo que detectamos rapidamente este componente do cheiro a terra molhada. Uma possibilidade para esta grande sensibilidade é ter permitido aos nossos antepassados encontrarem locais zonas húmidas que conteriam mais alimento.

A chuva ao cair no solo seco liberta os óleos que estão depositados e também o geosmin, que em conjunto criam este aroma tão característico quanto fugaz.

Quando em breve sentir as primeiras gotas de água a cair já sabe: vem aí o aroma a terra molhada.

Saudações perfumadas!

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Estamos de volta

fim de dia

O Verão terminou e com ele o delicioso aroma da fruta acabada de apanhar, da sardinha assada e da maresia.

Durante o Verão o tempo passa mais devagar e permite-nos viver a natureza de uma forma muito mais intensa. Os dias são passados lânguidamente na praia ou no campo, a caminhar por uma pequena aldeia na planície alentejana ou a vaguear por uma capital europeia.

Foi um tempo de descontrair, de recarregar baterias, de novas experiências sensoriais. Agora que se aproxima o Outono, é hora de reflectir nessas experiências e sedimentar as memórias olfactivas de tudo o que apreendemos para que as possamos re-viver de novo ao sentir novamente o doce aroma do Verão.

Com o final do Verão também nós estamos de volta para partilharmos tudo o que reflectimos, aprendemos e vivênciamos durante este tempo de paragem.

Comecemos novamente a viagem.

Até já!

O que é um perfume.

“Ao misturar o álcool com os seus pós aromáticos e transferindo dessa maneira o perfume para um líquido evanescente, libertara o perfume da matéria, espiritualizara o perfume, inventara o odor puro, criara, numa palavra, o que se designa como perfume.
(…) uma fórmula mágica, tudo o que compõe um belo e maravilhoso odor, tudo o que compõe um perfume: delicadeza, força, durabilidade, diversidade e uma irresistível e temível beleza. ”

Citação do livro “O Perfume” de Patrick Suskind


Um perfume é uma mistura complexa de compostos químicos com cheiro agradável, que possui uma identidade olfactiva própria, diferente do odor das matérias-primas que foram utilizadas na sua composição
Os componentes usados diferem largamente nas suas propriedades físico-químicas e olfactivas, nomeadamente a volatilidade, a solubilidade, a polaridade e o odor threshold, pelo que os perfumes são misturas dinâmicas: as diferentes interacções entre as moléculas na mistura afectam a sua evaporação, e consequentemente o odor do perfume desenvolve-se e evolui ao longo do tempo, acabando por desvanecer-se ao fim de algumas horas após a sua aplicação.

Para além de ter uma identidade bem definida, tem de obedecer a certos requisitos técnicos:

  • Utilizar matérias-primas/essências de qualidade
  • Reter as suas características principais durante todo o período de evaporação, após aplicação
  • Ser suficientemente forte, mas não em excesso…
  • Ser persistente
  • Ser difusivo

Um perfume de uso corporal corresponde a uma mistura alcoólica com a seguinte composição aproximada:

Tabela 1 – Composição de um perfume.

Ingrediente Fórmula  %(m/m)
essências 5% – 20%
álcool etílico 50% – 90%
água destilada 5% – 30%


Os materiais fragrantes utilizados em perfumaria são classificados em três tipos de notas perfumadas consoante a sua volatilidade, definindo a estrutura piramidal da composição de um perfume.

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Nem todas as flores cheiram bem!

A raríssima flor cadáver, também conhecida como a planta mais mal cheirosa do mundo, começou a florescer e vai desabrochar dentro de dias na Universidade McMaster (Ontário,  Canadá) e é uma de das poucas no mundo a desabrochar este ano.

Segundo a pagina web da Estufa de Biologia daquela universidade, assim  que a flor começou a abrir o aroma a podre começou a invadir toda a área envolvente da planta.

Quando acabar de abrir, a planta chamada titan arum , vai libertar  um cheiro muito semelhante ao de carne em decomposição. Esta planta floresce apenas por alguns dias. É autóctone na floresta tropical de Sumatra, Indonésia,  esta planta grande e roxa chega a crescer mais de metro e meio e demora alguns anos até dar flor.

Esta curiosa planta está em exposição na estufa de Biologia da Universidade de Segunda a Quarta, das 9 as 23.

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Traduzido e adaptado de : http://www.perfumerflavorist.com/