Construir um perfume, da base até ao topo

Ao criar uma fragrância o perfumista necessita de forma, para estruturar o seu trabalho. A essa estrutura chamamos pirâmide olfactiva.

piramide olfactiva

As notas que compõem um perfume não são todas iguais. Umas são mais voláteis e sentem-se mais rápido. Outras demoram mais algum tempo a impor-se. Mas quando observamos o tempo que persistem, as mais voláteis “desaparecem” mais depressa, enquanto as menos voláteis perduram no tempo. A pirâmide olfactiva é uma forma de classificar as diferentes matérias-primas de um perfume relativamente ao seu comportamento em notas de topo, notas intermédias e notas de base.

No seu livro intitulado “Perfumes, Cosmetics and Soaps”, W.A. Poucher (edição original 1923) dá-nos uma base científica para esta classificação. Segundo este autor, nem os pesos moleculares nem os pontos de ebulição permitiam ordenar as matérias-primas pela forma como se comportavam numa composição. A forma que Poucher encontrou foi a determinação da durabilidade de centenas de matérias-primas numa tira de papel, à temperatura de 16ºC. A matéria prima recebeu um coeficiente (1-100) que dependia do tempo que durava no papel. Como a sensibilidade ao aroma pode variar de pessoa para pessoa, foi o próprio autor que conduziu o estudo durante dezenas de dias de forma a garantir a fiabilidade do teste.

E assim surgiu a classificação que hoje é usada por perfumistas em todo o mundo:
Notas de topo (coeficiente 1-14) – São aquelas que se libertam mais rapidamente pelo que são as que sentimos logo que o perfume é colocado. Como exemplos temos a lima, a lavanda, a bergamota e a menta.
Notas intermédias (coeficiente 15 -60) – Aqui temos as notas que constituem o coração do perfume. Como exemplos poderemos referir a verbena, o ylang ylang, o jasmim e o neroli.
Notas de base (coeficiente 61-100) – Estas são as que mais perduram num perfume, as fixativas. Como têm uma evolução mais lenta “prendem” as notas de topo e intermédias, arredondando o perfume e aumentando a sua durabilidade. Temos como exemplos os musks, o musgo, a vanilina e o vetiver.

Mas não se pense que esta divisão é estanque. Pela arte do perfumista na manipulação das concentrações de cada matéria-prima, uma nota intermédia poderá comportar-se como nota de topo ou uma nota de base poderá funcionar como uma nota intermédia ou até de topo (se a sua concentração na composição for muito elevada).

Assim, apesar de se apoiar em estudos científicos e num conhecimento com séculos de existência, é da arte de cada perfumista, que surge a capacidade de tocar com notas de felicidade o dia-a-dia de cada um de nós.

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2 thoughts on “Construir um perfume, da base até ao topo

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